Perspectiva da Semana #98

O que está acontecendo no Brasil? 

1. Política – Senadores articulam a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Ministério da Educação (MEC) em relação ao episódio dos pastores na pasta à licitação dos ônibus rurais. Eles alegam ter atingido as 27 assinaturas necessárias. (Valor)

A votação da reforma tributária foi adiada novamente pelo Senado. A tendência é de que não seja mais apreciada em 2022. A resistência vem das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com risco de perdas de arrecadação a Estados e municípios dessas regiões. (Estadão)

Os presidentes do MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania firmaram acordo para lançar um candidato à Presidência. Até o momento, a senadora Simone Tebet (MDB-RS) é a mais cotada para encabeçar a chapa. O nome deve ser divulgado em 18 de maio. (Estadão)

O PSB formalizou, na sexta-feira (8), a indicação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para compor a chapa com o ex-presidente Lula (PT) como candidato a vice-presidência. (Folha)

Pesquisa da Quaest mostra que 47% dos brasileiros consideram o governo como negativo, e 26% como positivo.

Já outro levantamento, o do Ipespe revela que 54% acham o governo ruim ou péssimo e 29% ótimo ou bom. O índice de aprovação ficou em 33%, com um aumento de 2 pontos percentuais.

As duas pesquisas também verificaram o cenário eleitoral. Para a Quaest, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto com 44% (estável), seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com 29% (+3pp). A Quaest ouviu, presencialmente, 2.000 pessoas, de 1 a 3 de abril. O Ipespe mostra o ex-presidente com 44% (estável) das intenções de voto, e Bolsonaro com 30% (+4pp). O Ipespe entrevistou 1.000 pessoas, entre 2 e 5 de abril, por telefone.

Segue o compilado das pesquisas eleitorais:

2. Economia – A inflação medida pelo IPCA subiu 1,62% em março. É o maior valor para o mês desde 1994, antes da implementação do Plano Real. Pelo acumulado em 12 meses, o IPCA ficou em 11,3% em março. Os maiores aumentos foram em transportes e alimentos. (Valor)

O governo anunciou que, a partir do dia 16 de abril, a tarifa de energia será enquadrada na chamada “bandeira verde”. Isso significa o fim da bandeira tarifária de escassez hídrica. O Ministério de Minas e Energia informou que a redução na conta de luz será de 20%. (Valor)

A Petrobras informou que vai reduzir os preços do gás de cozinha (GLP) em 5,58% a partir de sábado. A companhia afirmou que a redução acompanha os preços internacionais e a taxa de câmbio. (Valor)

Entre os meses de julho de 2021 e março deste ano, o Banco do Brasil (BB) destinou R$ 114 bilhões para o Plano Safra 21/22. Inicialmente estavam previstos R$ 135 bilhões para o custeio da safra, mas houve um aporte extra de R$ 10 bilhões por conta dos imprevistos causados por chuvas ou seca. (Agência Brasil)

A Nissan anunciou que vai investir até R$ 1,3 bilhão na fábrica de Resende (RJ) entre 2022 a 2025. De 2021 a 2022, a montadora investiu R$ 1,1 bilhão. A empresa espera produzir 86 mil automóveis este ano, com crescimento de 80% a mais em relação a 2021. (Estadão)

O Itaú Unibanco, maior banco brasileiro, elevou as previsões para o PIB e a inflação e baixou a projeção para o dólar. A nova avaliação do banco revisou o PIB para 2022 de +0,2% para +1%. Em outubro de 2021, o Itaú vinha projetando um recuo de 0,5%. Em relação ao IPCA 2022, de 6,75% para 7,75%, e o dólar para R$ 5,25 ao fim de 2022. (Estadão)

3. Gestão pública – O governo indicou José Mauro Ferreira Coelho para a presidência da Petrobras. Marcio Andrade Weber foi indicado para presidir o conselho de administração. As indicações ocorrem após as desistências de Adriano Pires e Rodolfo Landim por conflitos de interesses. (Estadão)

O governo manteve o sigilo sobre visitas de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, ao Palácio do Planalto. ‘Estadão’ solicitou os registros, mas o pedido foi negado sob a alegação de risco à segurança do presidente da República. (Estadão)

Licitação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), iniciada na terça-feira (5), para adquirir 3.850 veículos escolares teve a homologação suspensa por ordem do Tribunal de Contas da União (TCU). A suspeita é de sobrepreço nas estimativas dos valores. (Brasil)


Uma análise:

1. A perspectiva política para a próxima semana continua positiva. As métricas de apoio popular melhoraram levemente, bem como as pesquisas eleitorais. Houve redução dos conflitos institucionais, e o apoio parlamentar mostra solidez. De acordo com as últimas atualizações oficiais, o PL agora tem 78 deputados federais, muito além do esperado.

O governo vem conseguindo reduzir o gap entre os índices de apoio e rejeição. Não é nada muito diferente de como o governo era avaliado no passado, mas mostra uma recuperação importante em ano eleitoral. Bolsonaro também reduziu o tom das críticas ao Judiciário e pode ser que continue assim esta semana.

Sobre as eleições, o crescimento de Bolsonaro nas pesquisas mostra que ele foi, inicialmente, o grande beneficiado pela saída de Moro da corrida presidencial, alcançando aproximadamente 30% das intenções de voto. Lula segue estabilizado em torno 45%. De um lado, em uma análise otimista, a aliança com Alckmin pode destravar esse crescimento ou, do outro lado, mais pessimista, pode frear a queda que o petista pode sofrer quando a campanha começar para valer e as notícias de corrupção das gestões anteriores começaram a ser relembradas.

Lula é um exímio estrategista político e sabe o valor que a escolha do vice-presidente tem numa eleição. Ele leva em conta pelo menos três fatores para escolha do vice e ampliar sua base de eleitores: região geográfica, espectro ideológico e setor social. Tradicionalmente consolidado no Nordeste, desde que ganhou as eleições em 2002 até a última eleição de Dilma em 2015, Lula fez composições com políticos da região Sudeste, a que tem mais peso na eleição, para o posto de vice. Primeiro, com José Alencar, seu vice, e depois, com Michel Temer, vice de Dilma, um de MG, o outro de SP. Segundo, ambos eram políticos de centro-direita, ampliando o diálogo com setores ideológicos, produtivos e sociais. Com Alckmin, a lógica é a mesma: traz consigo boa parte de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com diálogo importante com o empresariado brasileiro e sinaliza a perspectiva de um governo moderado, talvez menos intervencionista na economia. A recente queda na rejeição de Bolsonaro em São Paulo pode ser resultado inicial dessa aliança. Novamente, ainda não se sabe o efeito de tudo isso, mas, baseado na estratégia das eleições anteriores, a aliança pode trazer alguma surpresa.

Esse raciocínio não é novidade para Bolsonaro e dirigentes do PL, PP e Republicanos. A eleição passada, contudo, foi incomum em relação à escolha do vice, porque não preencheu nenhum daqueles atributos mencionados anteriormente. Bolsonaro e Mourão ocupam espaços políticos mais similares do que complementares: militar-militar, classe média-classe média, Sudeste-Sul, direita-direita.

Bolsonaro quer repetir a fórmula que o consagrou presidente tendo o ex-ministro Braga Neto como vice, mas é preciso aguardar o efeito de Alckmin para tomar essa decisão. Se o ex-governador de SP destravar o crescimento de Lula, Bolsonaro deverá ficar mais inclinado a ceder e incluir um político do Nordeste como vice.

2. A economia permanece com tendência positiva para a próxima semana. A alta e a persistência da inflação de março eram esperadas pela autoridade monetária. A variação dos combustíveis e dos alimentos pressionaram os preços de março. Em abril, contudo, de acordo com projeções do mercado, o IPCA deve ficar abaixo de 0,8% e próximo de 0% em maio.

A questão fiscal segue equacionada, embora existam discussões pontuais sobre concessão de aumentos aos servidores públicos ou novos subsídios. O governo ainda estuda a redução adicional do Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) e ajustes nas faixas do imposto de renda para pessoas físicas. A pressão aumentou para um aumento geral dos salários, mas o governo ainda resiste e acena com recomposições parciais a algumas categorias específicas ou ajustes bem abaixo do esperado.

3. A tendência na gestão pública fica neutra para a próxima semana. Após o fiasco inicial das indicações para a Petrobras, o governo conseguiu acertar nomes técnicos e que foram bem recebidos no mercado. Nos paradigmas, a negativa em divulgar a presença do presidente do PL no Planalto é um sinal negativo, mostrando, novamente, pouca transparência em questões que deveriam ser normais.


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