Perspectiva da Semana #124

O que está acontecendo no Brasil?

1. Política â€“ Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) foram os dois candidatos mais votados nas eleições de 2 de outubro. Lula recebeu 57.259.504 votos, ou 48,43% dos votos válidos, contra 51.072.345 votos de Bolsonaro, representando 43,2%. Lula venceu no Norte e Nordeste, enquanto Bolsonaro ganhou no Centro-Oeste, Sudeste e Sul. (Folha)

No Legislativo, em 2018, foram eleitos representantes de 30 partidos para a Câmara; a bancada eleita em 2022 é mais concentrada, com 19 partidos ou federações. No Senado, os partidos foram reduzidos de 21 para 15. O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro (PL) conquistou a maior bancada na Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Seis partidos políticos não alcançaram a chamada cláusula de barreira: PTB, PSC, Patriota, PROS, Solidariedade e Novo. Isso significa que não receberão recursos do Fundo Partidário e perdem tempo de TV e rádio.

Diversos atores políticos anunciaram apoio ao longo da semana em relação aos candidatos à Presidência. Lula obteve apoio dos ex-candidatos Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), bem como de expoentes do PSDB como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati. Além dos governadores de esquerda, Lula também recebeu o apoio de Helder Barbalho (MDB-PA). Bolsonaro conseguiu assegurar o apoio de diversos governadores: Rodrigo Garcia (PSDB-SP), Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ibaneis Rocha (MDB-DF) e outros.

Embora tenham acertado a colocação dos candidatos à Presidente do Brasil, as pesquisas de intenção de voto não retrataram o resultado da eleição presidencial. AtlasIntel, MDA e Paraná pesquisas foram as mais precisas, superando os institutos tradicionais.

A pesquisa Ipec/Globo mostra Lula (PT) liderando as intenções de voto no segundo­ turno com 55% dos votos válidos, seguido por Bolsonaro (PL) com 45%. Em votos totais, Lula tem 51%, ante 43% de Bolsonaro. Brancos, nulos e que não sabem somam 6%. A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.000 eleitores de 3 a 5 de outubro. (Estadão)

De acordo com a pesquisa PoderData, Lula (PT) tem 52% dos votos válidos­ e Bolsonaro 48%. Em votos totais, Lula tem 38%, Bolsonaro, 44%, e votos em branco, nulos e que não sabem em quem votar somam 8%. A pesquisa entrevistou por telefone 3.500 eleitores, entre 3 e 5 de outubro. (Poder360)

A Quaest/Genial indica Lula (PT) com 54% dos votos válidos, e Bolsonaro com 46%. Em votos totais, Lula tem 48%, contra 41% de Bolsonaro (PL). Brancos, nulos ou indecisos somam 11%. A pesquisa foi realizada face-a-face com 2.000 eleitores, entre 3 e 5 de outubro.

O DataFolha mostra Lula (PT) com 53% dos votos válidos, e Bolsonaro com 47%. Em votos totais, Lula tem 49% contra 44% de Bolsonaro. O levantamento ouviu 2.884 pessoas, face a face, entre 5 e 7 de outubro.

Na média, as quatro pesquisas apontam 53,5% dos votos válidos para Lula e 46,5­­% para Bolsonaro.

2. Economia – O Índice de Confiança Empresarial (ICE) de setembro, medido pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 0,8 ponto, para 101,5 pontos, maior patamar desde agosto de 2021 (102,5 pontos). (Valor)

A balança comercial do Brasil registrou superávit de US$ 3,993 bilhões em setembro, queda de 9,3% em relação a igual mês de 2021. A balança acumulou saldo positivo até setembro de US$ 47,868 bilhões, com recuo de 15,6% em relação a um ano antes. (Valor)

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê novo recorde na produção de grãos, com 312,4 milhões de toneladas na safra 2022/23. O volume supera em 41,5 milhões de toneladas a colheita da safra 2021/22,  que foi de 270,9 milhões de toneladas. (Brasil)

3. Administração pública – O Ministério da Economia bloqueou R$ 51,3 milhões do orçamento do Ministério da Educação exclusivamente em emendas de relator-geral (RP9). (Brasil)

Foi publicado decreto que moderniza a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, com o aperfeiçoamento da legislação de transferências obrigatórias de recursos da União para apoio complementar aos estados e municípios nas ações de prevenção em áreas de risco, resposta e recuperação em locais atingidos por desastres naturais. (Brasil)



Uma análise:

1. A tendência para a política é positiva. Conforme previsto, as eleições mostraram Lula e Bolsonaro como os dois candidatos mais votados. O resultado os colocou para disputar o segundo turno das eleições em 30 de outubro. Na primeira semana após as eleições, Bolsonaro reduziu o nível de conflito institucional em seus pronunciamentos. Os níveis de apoio popular ao governo melhoraram levemente. A coalizão parlamentar saiu fortalecida, com baixo nível de renovação legislativa e impressionada com o desempenho de candidatos que aderiram à campanha de Bolsonaro.

Durante o mês de setembro, Lula estava em melhores condições para a disputa, como mostrado nos relatórios anteriores. Ele liderou as pesquisas de intenção de voto, indicando quase sua vitória em primeiro turno, e foi coletando importantes apoios políticos, como o de FHC e Marina Silva. Bolsonaro estava bem abaixo nas pesquisas e cometeu deslizes nas semanas anteriores à eleição. Além disso, alguns políticos evitaram apoio explícito a ele, temendo sua derrota no primeiro turno.

Após o primeiro turno, essa fotografia mudou radicalmente. Bolsonaro superou as expectativas na eleição e alterou a composição no Legislativo, tanto com o crescimento do PL (que será a ser a maior legenda na Câmara e no Senado) quanto com o domínio dos partidos de centro-direita. Além disso, teve influência nas eleições para governadores e deputados estaduais e distritais. Com isso, Bolsonaro passou a obter importantes apoios políticos que o colocam em melhores condições em relação às que tinha no primeiro turno.

A candidatura de Bolsonaro ganhou apoio de pelo menos oito dos quinze governadores eleitos em primeiro turno (Minas, Rio de Janeiro, Paraná, Goiás, Distrito Federal, Acre, Mato Grosso e Roraima). O atual governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), derrotado no primeiro turno, também apoia Bolsonaro. Lula recebeu apoio de seis governadores (Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Pará e Amapá).

Minas Gerais merece uma análise à parte. Bolsonaro perdeu para Lula, no Estado, no primeiro turno (48,29% a 43,60%), com resultado praticamente igual aos números nacionais (48,43% contra 43,20%). Minas é o segundo maior colégio eleitoral e o Estado com o maior número de municípios (853). O apoio de Zema a Bolsonaro é importante, a ponto de já ter obtido a adesão de mais de 600 prefeitos à campanha bolsonarista. É, seguramente, um Estado crítico para ambos os candidatos presidenciais e que pode definir o rumo das eleições.

Por fim, algumas observações sobre um estudo entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais desde 2002. Exceto na eleição de 2006, a diferença de pontos entre os candidatos mais votados no primeiro turno diminui para o segundo turno. Por exemplo: em 2014, a diferença entre Dilma e Aécio no primeiro turno foi de 8.08pp e de 3.28pp no segundo turno. Como a diferença na eleição de 2022 foi de 5.23pp no primeiro turno, Lula e Bolsonaro terminarão a eleição com a menor diferença já registrada entre dois candidatos.

2. A economia segue com tendência positiva, sem grandes alterações.

3. A administração pública segue em tendência neutra, sem grandes alterações.


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