Perspectiva da Semana #118

O que está acontecendo no Brasil?

1. Política â€“ Os candidatos com maior pontuação na disputa pela Presidência da República foram convidados para entrevistas ao Jornal Nacional. Na segunda-feira (23), o entrevistado foi Jair Bolsonaro (PL); na terça (23), Ciro Gomes (PDT); na quinta (25), Lula (PT); e na sexta (26), está prevista a presença de Simone Tebet (MDB). (g1)

No domingo (28), às 21h, será realizado o primeiro debate entre os candidatos. O evento é promovido pela Band, TV Cultura, UOL e Folha de São Paulo. Lula e Bolsonaro ainda não garantiram presença.  (Poder360)

O horário gratuito de rádio e televisão para o primeiro turno das eleições começa nesta sexta-feira (26) e vai até 29 de setembro.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal fizesse buscas e apreensões contra oito empresários que teriam dito que preferem um golpe à volta do PT em um grupo de mensagens. Eles são simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (PL) e tiveram o bloqueio de suas contas em redes sociais, bem como a quebra de sigilos bancários e telemáticos (CNN).

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, se reuniu com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. A avaliação da pasta foi que o encontro foi “positivo”, pois abriu o diálogo em torno das propostas apresentadas pelas Forças Armadas para alterações no sistema eleitoral. (Valor)

A mais recente pesquisa FSB/BTG mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente das intenções de voto no primeiro turno com 45% (estável), seguido por Jair Bolsonaro (PL) com 36% (+2pp). O governo é considerado como “ruim/péssimo” por 45% (+1pp) da população e “ótimo/bom” por 34% (+1pp). A taxa de desaprovação está em 56% (+1pp) e a de aprovação em 38% (estável). A pesquisa foi realizada por telefone com 2.000 eleitores de 19 a 21 de agosto.

A pesquisa Ideia/Exame, realizada por telefone, entre 19 e 24 de agosto, com 1.500 eleitores, mostra Lula com 44% (estável) da intenção de votos e Bolsonaro com 36% (+3pp). O governo é considerado “ruim/péssimo” por 46% (-3pp) e “ótimo/bom” por 34% (+5pp) dos eleitores.

Na próxima semana, publicarei o compilado das pesquisas do mês de agosto.

2. Economia – O IBGE divulgou a prévia da inflação de agosto, o IPCA-15. De acordo com o instituto, o País teve deflação de 0,73% no mês, a maior já registrada desde a criação do IPCA-15, em 1991. (Valor)

A Petrobras anunciou a redução de 10,4% no preço do querosene de aviação nas refinarias. No começo de agosto, a companhia já havia reduzido o preço em 2,6%. (Poder360)

A Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e outras receitas atingiu R$ 202,6 bilhões em julho. O montante representa 7,47% a mais do que o mesmo mês em 2021, e o maior já registrado para o mês de julho desde o início da série, iniciada em 1995. (g1)

O Brasil registrou déficit em suas transações correntes de US$ 3,506 bilhões em maio, conforme divulgado na sexta-feira (26) pelo Banco Central (BC). No mesmo mês de 2021, o saldo da conta corrente foi positivo em US$ 2,501 bilhões. Já no acumulado de 12 meses, a diferença entre o que o país gastou e o que recebeu nas transações internacionais. O BC espera superávit de US$ 4 bilhões em 2022. (Valor)

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 42,19 bilhões no acumulado do ano, até a terceira semana de agosto, recuando 15,4% em relação ao resultado de janeiro a agosto de 2021, pela média diária. A corrente de comércio no período aumentou 24,1%, na mesma comparação, atingindo US$ 387,25 bilhões. (Brasil)

3. Administração pública – O governo publicou decreto com o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 109 produtos para manter a competitividade da Zona Franca de Manaus. (Valor)

O Ministério da Justiça informou que o Facebook foi condenado ao pagamento de multa de R$ 6,6 milhões devido ao vazamento de dados de usuários brasileiros. O caso se refere ao repasse de dados à Cambridge Analytica, em 2018. (Valor)

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou posse como ministra titular do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Designada pelo presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, ela vai atuar como juíza de propaganda eleitoral durante a campanha. (Valor)


Uma análise:

1. A tendência política segue positiva. Não houve alteração nos índices de aprovação do governo, a base de apoio parlamentar também segue sem alterações significativas. O aspecto mais sensível continua sendo o nível de conflito institucional, que parece resistir às tensões da semana com a decisão de Moraes sobre os empresários simpáticos a Bolsonaro. A decisão atraiu críticas para o Judiciário de diversos segmentos da sociedade. Bolsonaro, contudo, não escalou a situação para críticas contundentes a Moraes nem voltou à questão do sistema eleitoral. Essa nova versão de Bolsonaro, mais moderada e vista na sua entrevista ao Jornal Nacional, não o faz perder votos e pode trazer-lhe outros nas próximas semanas.

Houve críticas à condução de William Bonner e Renata Vasconcellos nas entrevistas com Bolsonaro e Lula. Apoiadores de Bolsonaro afirmaram que os jornalistas cortaram o candidato muito mais do que o normal e que foram tendenciosos nos pressupostos de suas perguntas. Houve também críticas à forma “branda” com que os jornalistas teriam tratado Lula. A conclusão mais natural é que ninguém ganhou votos com as entrevistas, mas Lula pode ter tido algum ganho na margem. O início da campanha eleitoral deve pontuar melhor as diferenças eleitorais e reduzir a distância entre Lula e Bolsonaro.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal terão semana de esforço concentrado com votações a partir de segunda-feira (29). As pautas trazem diversos itens, entre projetos de lei e medidas provisórias

2. A economia segue com tendência positiva. A prévia da inflação de agosto veio melhor do que se esperava, muito em função da queda no preço dos transportes. Com isso, o IPCA-15 recuou, em 12 meses, de 11,4% em julho para 9,6% em agosto.

3. A administração pública continua em tendência positiva. As decisões do Executivo estão se provando acertadas, no geral, embora alguns setores ainda possam melhorar, como o Meio Ambiente e a Educação. Tanto sob a perspectiva de políticas públicas quanto dos atores públicos envolvidos no processo, o funcionamento da administração pública melhorou em relação aos meses anteriores.


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