Perspectiva da Semana #106

1. Política â€“ O partido União Brasil oficializou o lançamento da pré-candidatura à Presidência do deputado federal Luciano Bivar (União-PE). A manutenção dele na disputa será definida em julho, perto da convenção partidária. (g1)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o “PSDB acabou” em um evento na terça-feira (31). (g1)

A falta de quórum inviabilizou a votação da reforma tributária, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na terça-feira (31). Com apenas 13 senadores presentes (são necessários no mínimo 14 para deliberação), a reunião foi cancelada. (Senado)

A pesquisa FSB/BTG, divulgada na segunda-feira (30), indica que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 46% (+5 pontos percentuais) das intenções de voto no primeiro turno, e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), 32% (estável). Na avaliação do governo, 50% (-1pp) dos entrevistados consideram o governo “ruim/péssimo”, e 29% (-1pp) como “ótimo/bom”. O índice de reprovação ficou em 60% (-1pp) e o de aprovação em 35% (estável).

A pesquisa foi realizada com 2.000 eleitores, entre os dias 27 e 29 de maio, por telefone.

O Ipespe também divulgou pesquisa realizada com 1.000 pessoas, entre 30 de maio a 1 de junho de 2022, por telefone. O levantamento aponta Lula com 45% (estável), seguido de Bolsonaro com 34% (estável). Na avaliação do governo, 50% (-1pp) dos entrevistados consideram o governo “ruim/péssimo”, e 31% (estável) como “ótimo/bom”. O índice de reprovação ficou em 60% (estável) e o de aprovação em 35% (estável).

Segue o compilado de pesquisas eleitorais de abril e maio e as médias mensais desde janeiro de 2022:

2. Economia â€“ O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre de 2022, frente ao trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2021, o crescimento foi de 1,7%. O desempenho foi puxado por serviços, que representam 70% do PIB nacional. (Valor)

O Brasil voltou a ser a décima maior economia do mundo. O País não figurava na lista das dez maiores economias desde 2020. No resultado do PIB trimestral, a alta brasileira alcançou a 9ª colocação. (Poder360)

As contas públicas, que incluem o governo federal, os Estados e municípios, tiveram superávit de R$ 38,9 bilhões. É o melhor resultado para o mês na série histórica, iniciada em 2001. No acumulado do ano até abril, o superávit é de R$ 148,5 bilhões, também recorde. A dívida bruta do governo em relação ao PIB segue em retração, atingindo 78,3% do PIB em abril. (Estadão)

O desemprego recuou de 11,2%, no período de novembro de 2021 a janeiro de 2022, para 10,5% no trimestre encerrado em abril. É a menor marca para o período desde 2015, quando registrou 8,1%. Apesar do bom resultado, a renda média registrou queda de 7,9% no ano. (Valor)

O Itaú revisou a previsão do PIB para 2022 de +1,0% para +1,6%. Em outubro de 2021, o banco havia projetado o PIB para 2022 em -0,5%, subiu para 0,2% em março de 2022, e para +1% em abril de 2022.

3. Gestão pública – O Ministério de Minas e Energia formalizou ao Ministério da Economia o pedido de inclusão da Petrobras na carteira do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) para uma futura privatização da companhia. (Estadão)

O ministro Kassio Nunes Marques derrubou duas decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em favor do deputado estadual Fernando Francischini (União Brasil-PR) e do deputado federal Valdeven Noventa (PL-SE). Eles foram respectivamente cassados por fake news e abuso de poder econômico. (Folha)


Uma análise:

1. A tendência política da próxima semana continua positiva. O nível de conflito institucional recuou. A coalizão presidencial permanece forte e não houve alterações significativas nos níveis de apoio ao governo. A disputa eleitoral tem mostrado leve crescimento de Lula e a estagnação de Bolsonaro em comparação com o mês passado.

Terminado o mês de maio e apresentadas as pré-candidaturas de Simone Tebet e Luciano Bivar, a “terceira via” ainda não mostra sinais de vigor. O PSDB segue dividido em relação ao apoio à candidatura de Tebet, que também enfrenta resistências dentro do MDB. Para ser minimamente viável e avançar para o segundo turno, a “terceira via” precisaria tirar votos tanto de Bolsonaro quanto de Lula e ainda convencer os que pretendem votar em branco ou anular os votos, algo difícil de ocorrer.

De qualquer forma, pelas médias das pesquisas que foram analisadas, a diferença entre Lula e Bolsonaro era de 17 pontos percentuais em janeiro, e agora está em 12pp. Ao longo desses cinco meses, a maior contribuição foi o crescimento de 6 pontos de Bolsonaro, contra apenas 1pp de Lula. Entretanto, de abril para maio, Lula cresceu 2pp e Bolsonaro ficou estagnado. Diversos bons agregadores de pesquisas, como o do Estadão, indicam uma diferença maior entre os candidatos, mas todos apontam a tendência de diminuição desse gap.

O que pode acontecer em junho? Entre as opções mais plausíveis, Bolsonaro pode continuar estagnado, com pequenas variações, mais em função dos conflitos institucionais que vão e vêm. O destravamento do crescimento poderia decorrer de algo conjuntural na economia –como algo relacionado ao preço dos combustíveis ou à concessão de subsídios para a população mais pobre, inclusive com a instalação de uma nova situação de calamidade – ou de alguma aliança política com políticos do Nordeste que pudesse ser convertida em votos. A propaganda do PL começou na quinta-feira (2), mas ainda não se sabe o efeito.

Lula, por sua vez, parece não ter muito potencial de crescer, especialmente com seus recorrentes deslizes verbais. A sucessão de declarações desastrosas e as falas de improviso têm incomodado aliados próximos e afastado apoios que vinham se alinhando ao ex-presidente. Alguns acham que é devido ao clima de “já ganhou”, enquanto outros acreditam que seja puro destempero, já que estratégia não parece ser. A maior chance de Lula crescer, por enquanto, reside na situação do voto útil ou no anúncio de propostas de políticas públicas mais concretas.

2. A tendência na economia permanece positiva para a próxima semana, com a divulgação de notícias econômicas favoráveis. O resultado do PIB, a taxa de desemprego e os números das contas públicas não resolvem todos os problemas econômicos que o Brasil enfrenta, como, por exemplo, a inflação alta e taxa Selic elevada, e tampouco garantem continuidade de tendência para o próximo trimestre. Apesar disso, merece ser comemorado o fato de o Brasil ter voltado a figurar entre as dez maiores economias do mundo.

Considerando o contexto brasileiro, esses resultados positivos servem como a linha de base para os meses que virão, que, em comparação com outras grandes economias, é boa. Sem observar o contexto, analisa-se apenas o fator econômico sem considerar-se o político, e aí o resultado sempre será invariavelmente ruim. Observem que a maior parte do noticiário econômico apresenta o fato seguido de um “mas”, um viés negativo que domina mais da metade dos artigos.

No macroambiente econômico de elaboração de políticas públicas, contudo, o ponto de partida analítico deve considerar, em âmbito doméstico, as leis em vigor, as instituições, a política, a capacidade de gestão. Outros aspectos fogem à capacidade de gestão econômica dos agentes governamentais nacionais, mas também devem ser observados, como a reabertura da China, a taxa de juros nos Estados Unidos ou a continuidade da guerra na Ucrânia.

O IGP-DI de maio será divulgado na quarta-feira (8) e o IPCA, na quinta-feira (9).

3. A tendência na gestão pública permanece neutra, sem alterações significativas.

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