Perspectiva da Semana #64

Tendência de curto prazo

O que está acontecendo no Brasil? 

1. Política – O deputado Luis Miranda (DEM-DF) revelou, na terça-feira (29), que recebeu ofertas de propina para não atrapalhar as negociações da Covaxin. Ele afirma que o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), esteve presente durante um dos encontros para tratar do assunto.

O empresário Carlos Wizard foi ouvido pela CPI da Pandemia na quarta-feira (30). Amparado por habeas corpus, ele não respondeu às perguntas dos senadores. Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, uma empresa de medicamentos, prestou depoimento à CPI na quinta-feira (1). Ele reafirmou que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1,00 por dose de vacina da AstraZeneca a ser comprada pelo ministério. Dominguetti também mostrou um áudio em que, supostamente, o deputado Luis Miranda estaria tentando intermediar a compra de vacinas da Daviti. Miranda afirmou que o áudio tratava de compra de luvas, não de vacinas.

Foi apresentado, na quarta-feira (30), um superpedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. O pedido, que foi apresentado por diversos partidos e movimentos, reúne 23 acusações contra o Presidente. Existem outros 124 pedidos de impeachment aguardando deliberação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

A ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de inquérito para investigar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo crime de prevaricação. O caso é relacionado ao caso apresentado pelos irmãos Miranda na CPI da Pandemia.

No sábado (3), houve manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os atos ocorreram em mais de 300 cidades do Brasil e 35 no exterior. Em junho, os atos foram menores, tendo ocorrido em 210 cidades brasileiras e 14 no exterior.

No Senado Federal, haverá esforço concentrado, a partir de segunda-feira (5), para votação de autoridades.

2. Economia – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nova previsão para o PIB em 2021. A nova estimativa eleva o PIB de 3% para 4,8%.

A relação da dívida pública em relação ao PIB continua diminuindo. Os dados do mês de maio mostram queda da dívida bruta pelo terceiro mês consecutivo, caindo a 84,5% do PIB.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou aumento de 52% no valor da bandeira vermelha 2 da conta de luz.

O governo deve publicar, na segunda-feira (5), a prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses.

O Brasil registrou a criação de 281 mil vagas formais de trabalho em maio, superando as projeções de especialistas.

3. Administração pública – Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que a Amazônia teve o maior número de queimadas desde 2007. Foram registrados 2.308 focos de incêndio.

William J. Burns, chefe da CIA, a agência de inteligência dos EUA, esteve no Brasil para reuniões com ministros. Não houve divulgação oficial dos assuntos discutidos, mas houve relatos de que segurança regional e China possam ter sido temas dos encontros.


Uma análise:

1. A tendência política permanece negativa. A CPI da Pandemia demorou para trazer problemas para o governo, mas o cenário em que ela causa estragos no governo é mais plausível do que nunca. Esse avanço parece ter um efeito negativo na coalizão. Não houve alteração significativa nos índices de aprovação ou rejeição do governo. Bolsonaro evitou conflitos esta semana.

A CPI da Pandemia chegou a um ponto em que causa prejuízo ao governo. A narrativa de que houve corrupção no governo – sem importar se é real ou não – é um fato consumado, pelo menos por enquanto. Não é à toa que esta semana serão ouvidos dois dos envolvidos nos casos Covaxin e Davati. Ou seja, a previsão para a semana é de que o governo será desgastado com a narrativa de corrupção. Enquanto isso, líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, tenta ser ouvido na CPI, mas senadores estão protelando sua oitiva.

Embora ainda tenha condições favoráveis no Congresso, especialmente na Câmara dos Deputados, o governo sente essa pressão. A abertura do inquérito contra Bolsonaro, o superpedido de impeachment e o aumento das manifestações adicionam problemas políticos ao governo. É possível que sejam vistos alguns parlamentares governistas com menos disposição em fazer a defesa de um governo fragilizado. Esse aspecto negativo, como dito anteriormente, é mitigado, em parte, pelo crescimento na economia e pela ampliação da vacinação.

2. A economia permanece em tendência positiva. As previsões de crescimento do PIB, a diminuição da dívida pública, a redução do déficit primário e as novas contratações são aspectos que favorecem o ambiente econômico. Apesar disso, o risco fiscal ainda está presente e a pressão inflacionária gera preocupações.

Pode ser que exista uma correlação entre o avanço da vacinação e as projeções de crescimento do PIB. Julho e agosto serão meses em que a vacinação avançará bastante no Brasil e isso é um fator positivo. Contudo, a forte pressão para o aumento de gasto, tanto os relacionados à pandemia quanto os destinados a impulsionar a aprovação do governo podem trazer dificuldades fiscais. Além disso, o aumento na energia elétrica aumentará o índice de inflação.

3. A gestão pública permanece neutra. Três pontos merecem análise. Primeiro, no meio ambiente, ainda não há indícios de que a gestão tenha melhorado. Apesar de isso ser esperado – porque a transição leva tempo para gerar efeitos, tanto efetivos quanto de imagem –, a notícia do aumento de queimadas na Amazônia é ruim. Segundo, a gestão na saúde pode ter tido alguma vantagem com o depoimento do servidor Luis Ricardo Miranda na CPI da Pandemia. Pode ser que os gestores passem a decidir mais pelos critérios técnicos e menos pela decisão de Bolsonaro, melhorando nossa métrica de paradigmas da administração. Terceiro, a interlocução do chefe da CIA com membros do governo é um aspecto potencialmente positivo, especialmente em termos de combate ao terrorismo, tráfico de drogas e ciber segurança. Questões relacionadas a impedir a participação chinesa no leilão do 5G, caso tenham sido pauta do encontro como noticiado em alguns meios de comunicação, podem ser prejudiciais ao Brasil em termos de custo e rapidez na implementação.


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