The week ahead in Brazil #41

Short term

What is happening in Brazil?

1. The beginning of the vaccination plan last Sunday (17) highlighted the political conflict between president Jair Bolsonaro and the governor of São Paulo, João Dória. The government of São Paulo had 2m units of China’s Sinovac vaccine, and vaccinations in Brazil began using that batch. After a week of delays, the 2m Oxford/AstraZeneca’s ready-to-use jabs from India arrived in Brazil on Friday (22).

President Jair Bolsonaro’s approval rating fell from 37% to 31%. The main factors were the end of the emergency aid and flaws in the national vaccination plan. On Saturday (23), motorcade rallies across Brazil protested against the government calling for the impeachment of Mr Bolsonaro.

The elections for the presidencies of the Lower House and the Senate will occur on 1 February 2021. Analysts predict that deputy Arthur Lira (PP-AL) and senator Rodrigo Pacheco (DEM-MG), both backed by Mr Bolsonaro, are leading the race.

2. According to the Brazilian Central Bank’s Monetary Policy Committee’s (Copom) statement, the basic interest rate (Selic) was kept at 2% p.a. The result was expected by the market.

Calls for a new round of emergency payments are growing amongst congress members and governors alike.

3. Brazil is pursuing diplomatic negotiations with China to secure the active pharmaceutical ingredient to produce Covid-19 vaccines locally at Fiocruz, a leading federal research centre in Rio de Janeiro. Fiocruz says it could deliver vaccines around March.

On Saturday (23), the Federal Prosecution Service (PGR) required the Federal Supreme Court (STF) to open an inquiry against the Minister of Health, Eduardo Pazuello, to investigate possible acts of omission regarding the situation in the state of Amazonas. After the request, Mr Pazuello headed to Manaus, the state’s capital. The health system collapsed with the overwhelming number of new Covid-19 cases and deaths due to the lack of oxygen in hospitals cases.

How to read it?

1. Politics changed into a negative trend. Congress remains in recess, but the political tension continues to rise from last week. One front is with Mr Dória, Mr Bolsonaro’s main political antagonist, who had his moment as the first state to begin the vaccination. Moreover, leaders from a broad political spectrum, tested the effect of the motorcade against Mr Bolsonaro last Saturday. The elections for the presidencies of both legislative houses continue to be relevant. The sharp drop in popular support is the final piece of the puzzle that puts the government in a difficult situation for the next couple of weeks.

Paradoxically, the initiation of the vaccine rollout in Brazil sparked a dire political situation for Mr Bolsonaro. Now proved wrong, he remained silent, because his previous statements were against the Coronavac vaccine. Politicians, business owners and leaders of public institutions are exerting pressure on Mr Bolsonaro to act against the pandemic properly. Calls for his impeachment made the headlines of every newspaper, but, for the time being, this outcome is highly unlikely. It is, however, a piece of evidence that Mr Bolsonaro is weaker by the day, with less money, less popular support and more problems to solve.

2. The Brazilian Central Bank (BCB) reconfirmed the Selic rate, one of its most important monetary instruments. With a clear decision-making process, the BCB has consistently provided confidence to the market and investors. By explaining its logic through regular statements, the BCB is functioning as a reliable institution, which is very positive in the current scenario.

On the fiscal front, however, the state of affairs is more uncertain. Every day, economists are joining a growing choir of politicians suggesting the need to resume the emergency aid programme. While it seems crucial to offer some support to families and businesses, the lingering question, since the Renda Brasil fiasco, is where to get the funds from. Officials from the Ministry of Economy offered several alternatives since the pandemic, but they have been overlooked or rejected by the ultimate decision-maker, Mr Bolsonaro. He seems to work with a “more-cash, more-spending” scenario and this is very far from happening. Until last week, Mr Bolsonaro seemed aloof about the economy, withholding any sort of spending cuts.

Moreover, Mr Bolsonaro set loose his allies to wrongfully put at risk the relationship with Brazil’s main economic partner, China. The economic situation, along with the drop in Mr Bolsonaro’s rating approval, should serve as a wake-up call for the government.

3. The public management continues in a negative trend. The leadership factor is worsening, with evident problems in diplomacy and health. The diplomatic direction set by Mr Bolsonaro and the Minister of Foreign Relations, Ernesto Araújo, might be costly to Brazil. Looking at the Brazil-China relationship, it is undeniable that it suffered a blow. The government has been failing to observe that, apart from all else (trade, investment and technology), China is also the supplier of the pharmaceutical ingredient to produce the vaccines in Brazil, an essential step for the economic recovery. While Chinese authorities say the delay in providing the ingredient is not a political issue, it could result from a less attentive relationship from the Brazilian government, due to the influence of ideas in the policymaking process.

Unfortunately, as registered in this newsletter many times, the Ministry of Health cannot deliver timely good results to the population. One could argue that leadership is poor, or that the current set of norms adds too much bureaucracy to the administration. In my view, all that contributes to the current situation, but the main problem comes from the paradigm Mr Bolsonaro imposed on the public administration. Instead of using the full capabilities of the well-trained Brazilian public service to shape the policymaking process, the President set a view that one must abide completely to his ideas. This imposition was been seen continuously, but particularly in the health department, the first sign became evident with the dismissal of Mr Luiz Mandetta, Bolsonaro’s first minister of health. I don’t expect this management style to change anytime soon.


Em português

Perspectiva da semana #41


O que está acontecendo?

1. O começo da vacinação no Brasil no domingo (17) foi marcada pelo conflito político entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória. O governo paulista tinha 2 milhões de doses da chinesa Sinovac, e a vacinação começou com as unidades desse lote. Com uma semana de atraso, na sexta-feira (22), chegaram ao Brasil 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca vindas da Índia.

A aprovação do governo Bolsonaro caiu de 37% para 31%. Os principais fatores foram o fim dos pagamentos emergenciais e as falhas no início da vacinação. No sábado (23), carreatas em várias cidades protestaram contra o governo e pediram o impeachment de Bolsonaro.

As eleições para as presidências da Câmara e do Senado ocorrerão no dia 1 de fevereiro. Analistas preveem que o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ambos apoiados pelo Planalto, estão liderando a corrida eleitoral.

2. De acordo com a nota do Copom, a taxa Selic foi mantida em 2% a.a. O resultado era esperado pelo mercado.

Pedidos para a retomada dos pagamentos emergenciais estão crescendo entre congressistas e governadores.

3. O Brasil está em negociações diplomáticas com a China para assegurar o recebimento do ingrediente farmacêutico ativo para iniciar a produção local de vacinas contra a Covid-19 na Fiocruz. A expectativa é de que as vacinas iniciem a ser entregues em março.

No sábado, a PGR pediu ao STF a abertura de inquérito contra o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para investigar possíveis atos de omissão em relação à situação de crise no Amazonas. Após o pedido, Pazuello viajou a Manaus, onde o sistema de saúde entrou em colapso devido ao grande aumento de casos de Covid-19 e de mortes por asfixia por falta de oxigênio.


Uma análise

1. A política entrou em uma trajetória negativa. O congresso continua em recesso, mas a tensão política continua a aumentar desde a semana passada. Um dos confrontos é com Dória, o principal antagonista de Bolsonaro e que teve seu momento de glória como chefe do primeiro estado a começar a vacinação. Outro foco de disputa é com líderes de um amplo espectro político, que testaram sua força na carreata deste sábado. As eleições para a Câmara e o Senado continuam relevantes. A significativa queda da aprovação do governo é a peça final do quebra-cabeças que coloca o governo em uma situação difícil nas próximas semanas.

É paradoxal que o começo da vacinação no Brasil tenha desencadeado uma situação política desfavorável para Bolsonaro. Provado que estava errado, Bolsonaro ficou calado frente a suas declarações passadas contra a “vacina chinesa”. Políticos, empresários e líderes públicos estão pressionando Bolsonaro para agir adequadamente contra a pandemia. As manifestações em favor do impeachment fizeram as manchetes dos jornais, mas, por enquanto, é improvável que sejam iniciados procedimentos rumo ao impedimento do presidente. Isso, por si só, contudo, já é um indicativo de um Bolsonaro mais fraco a cada dia, com menos dinheiro, menos apoio popular e com mais problemas para resolver.

2. O Copom reconfirmou a Selic, um dos mais importantes instrumentos de política monetária. Com um processo decisório claro, o Bacen tem sido capaz de transmitir confiança ao mercado e a investidores. Ao explicar sua lógica decisória por meio de seus comunicados, o Bacen funciona como uma instituição confiável, o que é muito positivo.

A situação fiscal, contudo, traz algumas incertezas. A cada dia, economistas estão se unindo ao crescente coro de políticos apoiando a necessidade da retomada dos pagamentos emergenciais. Embora seja crucial apoiar as famílias e os negócios, a questão que permanece, desde o fiasco do Renda Brasil, é de onde viriam os fundos. Servidores do Ministério da Economia tentaram diversas alternativas durante a pandemia, mas foram rejeitadas pelo último decisor, Bolsonaro. Ele parece trabalhar com um cenário “mais dinheiro, mais gastos”, o que está longe de ser o que está acontecendo. Até semana passada, Bolsonaro parecia desconectado dos assuntos econômicos, evitando cortar despesas.

Além disso, Bolsonaro parecia ter dado carta branca para que seus aliados colocassem em risco o relacionamento com o principal parceiro econômico do Brasil, a China. A situação econômica, combinada com a queda na aprovação, deveria servir de alerta para o governo.

3. A gestão pública permanece como uma influência negativa. O fator de liderança está piorando, com problemas evidentes na diplomacia e na saúde. O direcionamento diplomático establecido por Bolsonaro e pelo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, podem custar caro ao Brasil. Ao olhar a relação Brasil-China, é inegável que há perdas. O governo vem falhando em notar que, além de tudo o mais (comércio, investimento e tecnologia), a China também é o fornecedor do ingrediente farmacêutico para a produção de vacinas no Brasil, algo fundamental para a retomada da economia. Autoridades chinesas alegam que o atraso no envio do ingrediente não se deve a influência política, mas isso pode resultar de uma falta de atenção por parte do Brasil, devido à crescente participação da ideologia no processo de elaboração das políticas públicas.

Infelizmente, como registrado em diversas edições, o Ministério da Saúde não consegue entregar rápidas e boas soluções à sociedade. Pode-se argumentar que a liderança é ruim, ou que as normas atuais atrasam muito os processos administrativos. Na minha perspectiva, tudo isso contribui para a situação atual, o principal problema decorre do paradigma implementado por Bolsonaro na administração pública. Em vez de valer-se das competências do bem-treinados servidores públicos para melhorar as políticas públicas, o presidente estabeleceu uma visão de que todos devem concordar e cumprir com sua ideias. Essa imposição foi vista publicamente várias vezes, particularmente na saúde, onde o primeiro sinal ficou evidente com a demissão do ex-ministro Mandetta. Eu não espero que o estilo gerencial mude no curto prazo.


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